domingo, 16 de outubro de 2011

Regras Capoeira


REGRAS CAPOEIRA

Os toques

Hoje é impossível imaginar a capoeira sem um acompanhamento musical, ou melhor, sem um ritmo ditando o jogo de capoeira. Há no acompanhamento musical toques que se poderia chamar de gerais, porque são comuns a todos os capoeiras, os quais são executados ao lado de outros que são particulares de determinada academia ou mestre de capoeira. Também acontece e não raro, um mesmo toque, apenas com denominação diferente entre os capoeiras. Sendo assim, conforme o mestre, mesmo dentro do estilo angola, estes toques podem variar. Segundo Waldeloir Rego:
Para Pastinha os toques são:São Bento grande, São Bento pequeno, Angola, Santa Maria, Cavalaria, Amazonas e Iuna.
Já para Waldemar da Paixão:
São Bento grande, São Bento pequeno, Angola, Benguela, Ave Maria, Santa Maria, Cavalaria, Samongo, Angolinha, Gegê, Estandarte e Iuna.
Para Canjiquinha:

Angola, Angolinha, São Bento grande, São Bento pequeno, Santa Maria, Ave Maria, Samongo, Cavalaria, Amazonas, Angola em Gegê, São Bento grande em gegê, Muzenza, Jogo de dentro e Aviso.

Como se vê, em todos eles há uma constância nos toques Angola, São Bento grande, São Bento pequeno, Cavalaria, Iuna e Benguela. Além disso, os toques divergentes destes, raramente constituem um toque totalmente diferente dos demais. Via de regra é um já existente apenas com outro rótulo ou uma ligeira inovação introduzida pelo tocador, fazendo com que se de um novo nome.

INSTRUMENTOS
Segundo o que se tem escrito, o acompanhamento musical da capoeira, desde os primórdios até nossos dias já foi feito pelo berimbau, caxixi pandeiro, adufe, atabaque, reco-reco e agogô, sendo todos, com exceção do adufe, utilizados atualmente na capoeira angola para constituir a bateria.

Berimbau
A origem do nome berimbau e do próprio instrumento ainda é obscura. Há registros desse instrumento em vários cantos do mundo, inclusive na África, conforme observação e documentação de Hermenegildo Carlos de Brito Capello e Roberto Ivens, quando da viagem empreendida pelos territórios de Iaca e Benguela, durante os anos de 1877-1880.
Instrumentos musicais encontrados em Angola
Chefe africano, adaptada de José Redinha. Distribuição étnica de Angola. 7a. ed. Instituto de Investigação Científica de Angola, Centro de Informações e Turismo de Angola, 1971.
Lundamba - reco-reco - bordão escavado e canelado; tocado com uma vara de madeira; 80 cm de comprimento
Kariari - arco musical - vara de madeira encurvada com uma corda; com uma vareta são tocadas as ranhuras do arco fazendo vibrar a corda; a caixa de ressonância é a boca do tocador
Tocador de arco musical
Ilustrações: reprodução
1,2 - Museu do Dundo. Subsídios para a história, arqueologia e etnografia dos povos da Lunda. Campanha etnográfica ao Tchiboco. Anotações e documentação gráfica. Lisboa, Cia. de Diamantes de Angola, 1955.3,4 - Museu do Dundo. Flagrantes da vida na Lunda. Lisboa, Cia. de Diamantes de Angola, 1958.

Menina com berimbau
Além destes, nos primórdios da colonização, o Brasil conheceu o outro tipo de berimbau, tocado com a boca, conhecido na América Latina como trompa de Paris.
Atualmente é o principal instrumento da capoeira, o qual, numa roda dita o ritmo e comanda o jogo. Normalmente uma roda é formada por três tipos de Berimbau, o gunga, com som mais grave, o médio ou roseiro, com som intermediário e o viola, com som mais agudo, sendo o tamanho da cabaça o fator determinante para tais diferenças de afinação.

Caxixi
É tocado com a baqueta e o dobrão (uma peça de metal, antigamente uma moeda), com acompanhamento do caxixi.Nada de concreto se sabe a respeito da origem do nome, nem do instrumento, apesar de possivelmente, ter influências africanas e dos indígenas brasileiros em sua construção.Usado com o berimbau, dá um segundo momento no ritmo da baqueta no fio de aço.

Pandeiro
Instrumento muito antigo e de origem incerta. Entrou no Brasil por via portuguesa e já na primeira procissão que se realizou na Bahia (Corpus Christi) em 13 de junho de 1549, se fez presente, o que já era hábito em Portugal.Essa aculturação e aproveitamento do pandeiro se verificou também entre os negros da América Latina, especialmente o cubano, onde o pandeiro é um dos instrumentos da liturgia nagô de Cuba.

Atabaque
O termo atabaque é de origem árabe, sendo um instrumento oriental muito antigo entre os persas e os árabes, porém divulgado na África. Embora os africanos já conhecessem o atabaque e até o tenham trazido da África, crer-se que ao chegarem ao Brasil já o encontrasse trazido por mãos portuguesas para ser usado em estas e procissões religiosas em circunstâncias idênticas ao pandeiro.O atabaque acompanha o berimbau Gunga na marcação do ritmo do jogo.

Reco-reco
O reco-reco parece ter origem africana, pois é encontrado em várias manifestações culturais afro-brasileiras. Instrumento de percussão fina enriquece um conjunto com detalhes e variedade sonora. Na Capoeira Angola o reco-reco acrescenta esta variedade às vibrações únicas do agogô.Todos os grupos humanos possuem os seus próprios instrumentos musicais, mas também encontramos intercâmbios, influências e bases comuns. "Fazedores de barulho" harmônicos, como os reco-recos e chocalhos, são encontrados em muitos grupos, associados à alegria e às ligações espirituais.

Agogo
É um instrumento de percussão de ferro que entrou no Brasil por via Africana. O termo agogô pertence à língua nagô e quer dizer sino. Tem a função de ser um contraponto rítmico aos berimbaus e ao atabaque.

O CANTO
De um ponto de vista amplo, a cantiga de capoeira tanto pode ser o enaltecimento de um capoeirista que se tornou herói pelas bravuras que fez quando em vida, como pode narrar fatos da vida cotidiana, usos, costumes, episódios históricos, a vida e a sociedade na época da colonização, o negro livre e o escravo na senzala, na praça e na comunidade social, além de sua atuação na religião, no folclore e na tradição.
Louvam-se os mestres de capoeira e evocam-se as terras da África de onde procederam.Fenômeno interessante a se observar em boa parte das cantigas de capoeira é o diálogo. Não é o diálogo normal entre duas pessoas presentes, mas o entre uma pessoa humana presente e outra coisa ausente, onde as indagações são feitas e respondidas por uma pessoa só. As cantigas de capoeira fornecem valiosos elementos para o estudo da vida brasileira, em suas várias manifestações, os quais podem ser examinados sob o ponto de vista lingüístico, folclórico, etnográfico e sócio-histórico.
Lingüisticamente falando, as cantigas fornecem detalhes da linguagem corrente do Brasil, principalmente no campo fonético, sintático e semântico. O elemento folclórico é também algo marcante e em todas elas soa freneticamente aos ouvidos de quem a escuta. Dentro do aspecto histórico, inúmeros acontecimentos são narrados, sendo a Guerra do Paraguai muito citada.
Já pelo aspecto social, notam-se detalhes do comportamento não só nas boas maneiras mas como é o caso da sua saudação e comprimentos característicos: como vai? Como sta? Como passo? Como vai vosmicê? Outro detalhe importante relatado pelas canções é a indumentária e a moda em geral na vida social do Brasil.

O JOGO

jogo da capoeira angola é algo difícil, complicado e requer uma atenção extraordinária, senão pode ser fatal para um dos jogadores. O capoeira tem que ser o mais possível leve, ter grande flexibilidade e gingar o tempo todo durante o jogo.
A ginga é um elemento fundamental. Da ginga é que saem os golpes de defesa e de ataque, não só os golpes comuns a todos os capoeiristas, como os pessoais e os improvisados.Durante o jogo, uma coisa importante a ser observada é o comportamento do capoeira, onde os mesmos não se ligam uns aos outros e nem se arreiam no chão.
Apenas tocam o chão e a si mutuamente. Somente na capoeira regional é que os jogadores se ligam, devido aos golpes ligados ou cinturados, provenientes do aproveitamento de lutas estrangeiras na capoeira.
O jogo entretanto, pode variar de academia para academia e de capoeirista para capoeirista, apesar de existir uma conduta geral entre os capoeiras mais famosos segundo Waldeloir Rego:
“Sentados ou de pé, tocadores de berimbau, pandeiro e caxixi, formando um grupo; adiante capoeiras em outro agrupamento, seguido do coro e o público em volta, vêm dois capoeiras, agacham-se em frente dos tocadores e escutam atentamente a uma ladainha, que é a louvação dos feitos ou qualidades de capoeiristas famosos ou um herói qualquer. Dando seqüência ao jogo da capoeira, vem o que chamam de canto de entrada.
Terminado o canto de entrada os capoeiras se benzem e iniciam o jogo propriamente dito ou o começo da luta. A certa altura, quebram o ritmo em que vinham e introduzem um outro, chamado corridos, que são cantos com toque acelerado. É hábito da assistência atirar ao chão algumas cédulas, para os capoeiristas, em saltos estratégicos, apanharem com a boca. Esse dinheiro após o jogo, o mestre divide com todos os discípulos, ficando, assim, garantido o transporte de cada um, para voltar para casa.”
INSTRUMENTOS :

Fonte : Regras do esporte (http://regrasdoesporte.blogspot.com/2010/07/os-toques-hoje-e-impossivel-imaginar.html)

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